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Clica aí, colega! #25

Oi, continuo viva!
Sumi porque estou tentando botar ordem na casa para viajar por algumas semanas em dezembro. Tenho que adiantar alguns trabalhos, organizar outros, organizar a viagem… tô tendo muita ajuda na parte da viagem, mas mesmo assim ainda tem muita coisa para decidir, pesquisar e comprar. Tô aqui na torcida para conseguir fazer isso na semana que vem e aí voltar a postar mais por aqui. Enquanto isso, só tenho links legais para compartilhar com vocês. ;)

Antes de tudo, vem cá ver que linda a carta que a mãe adotiva da Brooke escreveu para ela no dia em que a criança chegou à sua casa e deu para ela ler no dia do seu casamento. A história toda tá lá no Casarei.

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– E se os alunos de Hogwarts usassem o Instagram? Essas ilustrações da Vitoria Bass estão fantásticas!
– Deixar recados escondidos entre as páginas dos livros de Harry Potter, incentivando e contando para os novos leitores o que os livros mudaram na sua vida. Essa é a ideia da campanha Potter it Foward, achei sensacional. Você pode saber mais aqui no site da Galileu.
– O que são essas ilustrações de O Mágico de Oz que Lorena Alvarez fez e a Gabi mostrou? :O
– Duvido que alguém aqui tenha passado pela infância ser ler pelo menos um volume da Coleção Vaga-Lume. Adorei saber que a coleção está ganhando cara nova e não deixaram de fora nem o mascote Luminoso. Lá no Estadão dá para ver um pouco.
– 36 anos depois do lançamento de Warriors, como os atores estão? Como seria refazer o sequência clássica em que a gangue vai de metrô para Coney Island hoje? Vai lá no Vírgula ver como foi.

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– Quando a MTV Brasil antiga acabou, até fiz um post. Aí essa semana dei de cara com esse texto no Brainstorm9 quando a Aninha o compartilhou no Facebook e fiquei morrendo de saudade. O texto é antigo, mas é muito bom. Quem era adolescente nos anos 90 não passou ileso à revolução que o canal foi na forma de se comunicar com o público.
– Acho lindo ver que cada vez mais e mais mulheres estão amando o cabelo que tem, independente de como os outros esperam que elas tratem ou cuidem deles. Se você é dos que acredita que se amar e amar o próprio cabelo não é um fator importante na vida das pessoas, leia esse post da Denise, por favor.
– Eu amo o Snapchat, mas ultimamente não tenho tido muito tempo para ficar xeretando a vida de quem eu sigo por lá. Esse texto da Camies traduz todos os motivos de porque gosto tanto da rede social. Tem perrengue, tem casa desarrumada, tem cara de sono, tem tudo isso junto e misturado. Ah! E se você ainda não me segue por lá, me adiciona: anacaroamaral. ;)
– Uma das coisas mais lindas de Buenos Aires é a arquitetura. Fiquei louca de vontade de voltar pra lá e fazer esse tour pelas construções Art Nouveau da cidade, dica do Aqui me quedo.
– Ainda falando de arquitetura e viagem: O QUE É ESSA IGREJA NA BÉLGICA? Vai lá no Razões para Acreditar ver mais ângulos, que coisa fantástica!

Suíça – Yverdon Les Bains – Maison d’Ailleurs

No último post sobre a viagem, falei um pouco sobre a cidade e o museu com a história dela, então hoje resolvi falar do meu passeio favorito na cidade, o Museu de Ficção Científica chamado Maison d’Ailleurs.

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Eu tinha lido antes que o museu tinha muita coisa sobre Jules Verne e que era imperdível por isso. Fiquei curiosa, mas vou confessar: nunca li nada do autor. NADA. Sabia que o cara escreveu Vinte Mil Léguas Submarinas e meu conhecimento parava por aí. Tô falando isso por um motivo bem simples: tudo o que vou falar daqui pra frente poderia ser bem diferente caso eu fosse fã do cara.

Ao entrar no museu, passamos pela parte em que estava exposto todo o material sobre Ficção Científica moderna. Quadrinhos, filmes, livros… tudo que foi importante de alguma maneira para o tema. Tem uma parte bem legal onde você pode ouvir trilhas sonoras de filmes, em cabines. A gente passou um bom tempo por lá xeretando tudo.

Isso é papel recortado! :O
Isso é papel recortado! :O

Depois, entramos na área reservada para as exposições temporárias. Demos sorte e pegamos uma bem legal com obras de arte inspiradas em super heróis. A mostra era sensacional, com colagens, pinturas e esculturas. Em uma sala estavam várias estátuas de heróis feridos, com sangue dourado saindo deles. Em outra, havia versões dos heróis quando ainda estavam dentro da barriga da mãe e, sério, achei sensacional. Com certeza essa mostra foi a parte mais divertida de toda a visita.

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Depois, passamos para o prédio ao lado por uma passarela e caímos em uma sala bem grande, dedicada ao Jules Verne. Tinha bastante figurino de peças escritas por ele, manuscritos, pôsters de filmes e peças. Também tinha algumas obras de arte e uma parte com maquetes, que estava fechada no dia em que fomos. Sinceramente? Depois de ter me divertido tanto com a parte dos super heróis, achei essa parte bem fraca.

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Sempre rolam essas exposições temporárias e, geralmente, os temas são super legais (na semana seguinte à que eu fui, ia começar uma de Game of Thrones!). Vale a pena conferir no site para ver qual é a do momento. Até janeiro de 2016 é uma de robôs.

Maturidade zero ao ver que tinha uma exposição toda sobre super heróis. Xp
Maturidade zero ao ver que tinha uma exposição toda sobre super heróis. Xp

Mais informações: Site oficial

Nanette König, muito além de ser a amiga de Anne Frank

De tanto que eu falei sobre a Anne Frank aqui, as pessoas já começaram a me associar a toda notícia sobre ela. Tô achando lindo, porque realmente acho muito interessante todos os apectos da vida dela. E, assim, fiquei sabendo sobre uma exposição itinerante que está acontecendo em algumas unidades do Senac, chama Aprendendo com Anne Frank (valeu, Carol!).

A exposição passou pela unidade de Santo André em julho e, entre várias atividades, uma me chamou muito a atenção: uma palestra com Nanette König, amiga de Anne dos tempos de escola. A palestra era grátis, em um dia de semana, no meio da tarde. Na mesma hora me inscrevi, marquei a data na agenda e me organizei para conseguir ir. Fui achando que seria um depoimento rapidinho, do tipo “Ai, Anne fez trabalho comigo uma vez e foi um amor” e histórias bobinhas assim. Logo que cheguei, encontrei a sala cheia de adolescentes barulhentos, levados pela escola, e já quis desistir ali mesmo. Ainda bem que não desisti, porque eu não podia estar mais enganada.

NA época de escola e hoje. Foto: Estado de São Paulo.
NA época de escola e hoje. Foto: Estado de São Paulo.

Nanette era uma criança judia em Amsterdam na época da II Guerra Mundial. Como tantas outras, teve sua vida completamente modificada com a dominação nazista e foi parar em um campo de concentração. Lá, foi se despedindo aos poucos de toda a família (pai, mãe e irmão), vendo-os sendo levados para outros campos para morrerem. Nanette ficou sozinha em Bergen-Belsen, com o “privilégio” de ser escolhida como prisioneira para troca por outros presos. Por isso, ela não tem a tatuagem com seu número, não teve o cabelo cortado e podia, a qualquer momento, ser enviada para outro local. Nanette resistiu, como ela mesma diz, por puro acaso. Passou fome, quase morreu ao irritar soldados nazistas, podia ter morrido de fome ou tifo. Foi o acaso que a fez estar viva para ver o dia de libertação do campo e o fim da Guerra.

Ao ser resgatada, passou três anos internada em um sanatório. Demorou um ano para que seu sistema digestivo voltasse ao normal. Quando saiu de lá, sem nenhuma família próxima, foi morar em Londres com uma tia. Lá, conheceu um rapaz que também havia perdido os pais (não na Guerra) e estava se mudando para o Brasil. Eles namoraram à distância por um tempo, até que casaram e vieram morar em São Paulo.

Nanette e John, seu marido, no dia do casamento. Foto: Estado de São Paulo.
Nanette e John, seu marido, no dia do casamento. Foto: Estado de São Paulo.

Foi aqui que Nanette teve seus filhos, viu os netos crescerem e constituiu sua vida. Sempre inquieta, resolveu fazer faculdade quando já era avó. Hoje, dá as palestras para que as pessoas entendam o que foi o holocausto, a extensão do absurdo e para ter certeza de que isso não se repetirá. Ela é uma senhorinha super simpática, engraçada e cheia de opinião. Um exemplo de vida.

Ah! O que ela falou sobre Anne? Que eram colegas de sala, que estava na festa de Anne quando ela ganhou o diário e que a reencontrou, através de uma grade, por pura coincidência, no campo de Bergen-Belsen, na época em que ela morreu de tifo. E foi mais do que o suficiente, porque todos ali na sala queriam era saber mais da história de Nanette. Em muitos momentos me emocionei e vi todos ao redor terem os olhos cheios d’água também. Os adolescentes? Só riam ou falavam quando a Nanette contava um fato engraçado ou dava uma pausa no falatório, todos vidrados.

Encontrei a palestra que ela deu no Senac de Americana no começo do ano e é, basicamente, a mesma a que assisti. O vídeo é bem longo, mas vale a pena:

Saí de lá com a alma cheia. Se alguém que passou por tudo isso conseguiu retomar a vida, ser feliz, encontrar amor, ter vontade de viver e de lutar para que nunca esqueçam o quão terrível o ser humano pode ser, eu só tenho mesmo é que agradecer pela vida que tenho. Aposto que vocês também. Agradeçam, amiguinhos. E nunca, nunca esqueçam do que a humanidade já fez.

Nanette lançou um livro recentemente, chamado Eu sobrevivi ao holocausto e, claro, já estou doida por ele.

BEDA-2015