biografias

Andei lendo: Eu sobrevivi ao Holocausto | Nanette Blitz Konig

Há dois anos caí de paraquedas em uma palestra da Nanette König e, desde então, seu livro estava na minha lista de desejos. Por isso, quando finalmente assinei ao Kindle Unlimited (abençoada seja a promoção de 3 meses por R$ 1,99!), o livro foi um dos que entrou como prioridade na minha lista de leitura.

Basicamente o único problema de ler no Kindle: Não ter a capa do livro grandona para fotografar pro blog. :/

No livro Nanette narra com detalhes como era sua vida em Amsterdam, como foi sua passagem pelos campos (um de “triagem” e um de concentração) e como foram os anos seguintes à sua libertação. A riqueza de detalhes, principalmente nas passagens sobre os campos, é brutal. Nunca tinha lido um relato tão aberto de um sobrevivente do Holocausto e com tantos detalhes que me fizeram imaginar os horrores daquele tempo com maior nitidez.

Entre as histórias contadas no livro, com certeza a que mais foi comentada é a de como Nanette e Anne Frank se encontraram, o que conversaram e como ela ficou sabendo de sua morte, ainda no campo de concentração de Bergen-Belsen. Essa pode ser a passagem que mais causa interesse em quem nunca ouviu falar da autora, mas não é nem de longe a mais sofrida ou a que traz mais reflexão.

Eu já assisti a muitos vídeos, vi muitas fotos, visitei campos de concentração… mas ler este livro foi um soco no estômago. Virou aquele livro que recomendo à todo mundo que gosta de saber mais sobre a época da II Guerra Mundial.

Preço: a partir de R$ 19,99.

Andei lendo: Orange Is The New Black | Piper Kerman

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Já falei que comecei amando a sério do Netflix de Orange is The New Black e acabei pegando um bode GIGANTE da Piper, a protagonista, e desencanei de assistir? Pois é. Foi com esse pique que resolvi ler o livro enquanto estava com o Kindle da Lec. Só comecei a ler porque precisava de um livro com uma cor no título para o desafio literário. Haha.

O livro é a biografia que deu origem à série, escrito por Piper Kerman, uma mulher de classe média que se envolveu com uma traficante de heroína quando jovem, participou de algumas entregas internacionais da droga e, anos depois e com uma vida completamente diferente da que levava nessa época, é acusada, condenada e cumpre pena por causa desse envolvimento.

Piper conhece Nora (esse não é o nome real dela e, por isso, na série também deram outro nome à ela) logo que se forma na Smith College. Elas se apaixonam e Piper fica encantada com a vida de luxo e facilidades que Nora leva. Passa então a acompanhar a namorada à viagens com hospedagem em hotéis de luxo e acaba entendendo um pouco como funciona o tráfico internacional. Com o passar do tempo, ela se cansa dessa vida e termina o relacionamento com Nora.

A partir daí Piper vive alguns bons anos levando uma vida completamente normal. Trabalha com comunicação, conhece Larry e vive uma vida comum. Até que um dia ela recebe a notícia de que Nora a denunciou, que foi condenada e que terá que ficar em uma prisão por cerca de 1 ano e meio. Imagina o pânico? Você está lá, vivendo sua vida normalmente e, por mais que tenha feito muita merda no passado, acha que aquilo está morto e enterrado.

Piper é condenada e cumpre a maior parte da pena na Federal Correctional Institution, em uma cidade perto de onde sua família vive. E aí, você amiguinho que também já assistiu Orange is The New Black, vai fazer como eu e esperar que a história seja a mesma. Pois é, pode tirar seu cavalinho da chuva. Eu parei de assistir à série porque não aguentava a Piper, achava ela chata, mimizenta, meio burra e super egoísta. Peguei uma birra tão grande que no último episódio que assisti pulei todas as partes em que a personagem aparecia. Haha. No livro, Piper é sim uma mulher um pouco mimada e totalmente estranha à vida dura que a maioria de suas companheiras de prisão tiveram, mas ela é muito mais simpática. Faz uma trapalhada ou outra, mas não tantas e tão estúpidas. A Piper do livro é mais gente fina.

Nem vou falar sobre todas as diferenças entre a história real e a ficção, mas já solto um spoiler: não, Piper não tem um caso com sua ex-namorada. Hahaha. :p

Comecei o livro sem expectativa nenhuma e terminei gostando. Piper escreve de um jeito gostoso de ler, detalha bem as personagens e a gente acaba se apegando à ela e às outras. Achei bem melhor do que a série.

Preço: R$ 27,51 no Submarino.

Este livro me ajudou a cumprir o item 37 do 2015 Reading Challenge.

Andei lendo: Mustaine – Memória do Heavy Metal | Dave Mustaine e John Layden

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Henrique praticamente só ouve heavy metal. Eu gosto, mas não é muito o que escuto quando estou sozinha. Hahaha. Mesmo assim, tem uma ou outra banda que me ganhadepois de tanto ouvir no carro com o Henrique e acabo tendo na minha playlist de todo dia também. Esse é o caso do Megadeth.

Dave Mustaine é o fundador, guitarrista principal e vocalista da banda – que é considerada uma das maiores do gênero no mundo – e eu já tinha ouvido tanta história doida sobre ele que corri para pegar o livro quando o Henrique ganhou de aniversário. Furei a fila totalmente, nem deixei ele ler antes. Hahaha.

Dave teve uma infância difícil, em uma família um tanto conturbada. Cresceu entre religiosos fervorosos e, já no começo da adolêsncia, fez tudo o que podia para contestar essas crenças e seguir por outro caminho. Encontrou nas drogas (álcool e maconha, a princípio) uma boa saída e seguiu com esse costume pelo resto da vida.

A música apareceu em seu caminho por acaso e virou sua grande paixão. Saiu de casa e, depois de passar por alguns trabalhos chatos e que não rendiam muito, virou traficante. Traficava basicamente só para seus amigos e para consumo próprio, mas conseguia dinheiro suficiente para viver.

No final da adolescência ele entrou para o Metallica, uma banda que estava apenas começando e que prometia ter muito futuro. Gravou demo, fez turnê com os caras da banda, morou com um deles por um tempo… considerava que tinha encontrado uma família e estava feliz. Passava os dias bêbado ou chapado com outras drogas e à noite tocava. Tinha todas as mulheres que quisesse, a vida era uma festa constante.

E aí veio o golpe: depois de aguentarem por alguns anos seu comportamento agressivo quando estava bêbado, os companheiros de Metallica não aguentavam mais. Acordaram Dave no meio de uma turnê e o avisaram que estava fora da banda. Tinham comprado uma passagem de ônibus para ele e pediram que ele fosse embora logo, para não perder o ônibus. E foi isso. Assim, sem grandes considerações, rápido e com muita dor.

Essa separação é algo que acompanha Dave até hoje, uma ferida que não fechou muito bem. Em vários momentos do livro ele fala do Metallica, diz que sempre se comparou a eles e que sofreu muito quando diziam para ele que a maior banda de metal do mundo não o quis mais. Para ele é algo muito pesado e triste ter conseguido chegar a ter apenas a segunda maior banda de heavy metal mundial e saber que está longe do Metallica, no primeiro lugar.

Após voltar para casa Dave voltou à velha rotina de antes: drogas e álcool o dia todo, sem muitas perspectivas de vida. Até que conheceu David Ellefson e, com ele, resolveu montar uma banda nova. Encontraram outro guitarrista e um baterista, ensaiaram, criaram músicas e gravaram discos. E foi aí que tudo começou a virar uma loucura maior ainda: Dave e todos seus companheiros de banda eram viciados em heroína e cocaína. O vício era parte muito importante da vida de todos e, com o tempo, a coisa começou a ficar fora de controle.

Ao longo dos anos Dave demitiu vários guitarristas e bateristas e se manteve viciado, sem querer ajuda ou admitir que tinha um problema. Entrou e saiu da reabilitação várias vezes, passou muito mal, quase perdeu a guarda dos filhos e a esposa. Até que, no começo dos anos 2000, encontrou um caminho na fé. Se converteu, conseguiu se livrar dos vícios (tendo algumas recaídas pelo caminho) e começou uma nova vida. Se separou do Ellefson no Megadeth e, até hoje, faz turnês e lança discos de muito sucesso com o Megadeth.

Gostei bastante da biografia. Dave não tem muitas papas na língua e conta várias histórias vergonhosas e bizarras, algumas até engraçadas. Geralmente autobiografias são um pouco enganadoras, já que as pessoas escrevem puxando a sardinha pro lado delas, né? Dave faz um pouco isso sim, mas não tanto. Ele escancarou bastante coisas que não é todo mundo que teria coragem de contar pra todo mundo. Achei honesto.

Preço: R$25,90 no Submarino

Este livro me ajudou a cumprir o item 14 do 2015 Reading Challenge.