BEDA

No teatro: Memórias, Crônicas e Declarações de Amor

Esses meus amigos tem me dado muito orgulho ultimamente. Hoje venho falar do projeto de outro amigo querido, o Eder, que é ator de teatro (entre várias outras coisas) e está estreando sua nova peça aqui em São Paulo.

O Eder faz parte do Grupo atocontínuo, um grupo de teatro muito interessante e que já fez antes uma peça baseada inteiramente em um disco, o Bloco do Eu Sozinho dos Los Hermanos. Assisti à peça e adorei, até recomendei para vários amigos na época. Ficou curioso? Olha um teaser daquela peça aqui:

E agora, o Grupo está apresentando uma nova peça, totalmente baseada no disco Memórias, Crônicas e Declarações de Amor, da Marisa Monte. Amo esse disco, sei todas as músicas de cor, passei uns dois anos viciada nele e tô super curiosa para assistir a peça.

A estreia foi no sábado passado, no Viga Espaço Cênico. As apresentações serão todos os sábado e domingo de agosto e a entrada custa R$ 30. Tô doida pra ir!

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Você pode encontrar mais informações no site oficial do Grupo.

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Sobre o Sr. Oswaldir

Lá em casa ninguém é muito de afagos, físicos ou emocionais. A gente não é uma dessas famílias que diz que se ama o tempo todo, que se abraça, beija e fica grudado. Somos em 6 (meus pais, eu e meus 3 irmãos) e nunca fomos assim. Então, pra mim, esse é o normal, sabe? Não sinto falta de desligar o telefone falando pra minha mãe que a amo ou de chegar na casa dos meus pais e ficar agarrada neles. A gente sabe que todo mundo se ama, que faria qualquer coisa um pelo outro e pronto. Não precisa ficar falando, beijando, abraçando.

Expliquei isso pra vocês entenderem o que vou falar do meu pai. Seu Oswaldir é um homem sério, quieto, fechado. Enquanto eu crescia, praticamente todas as minhas amigas falavam que tinham medo ou vergonha dele, justamente por acharem que ele era tão quieto porque estava bravo. Ele é severo, mas nunca me bateu (que criança nascida nos anos 80 não recebia umas palmadas, né? Resposta: euzinha). NUNCA! O máximo que recebi quando criança foram um ou dois beliscões, isso quando o irritava MUITO (e ó que eu não era uma criança muito quieta, viu?).

Recebendo o diploma na faculdade e há pouco tempo, com a Estelinha no colo.
Recebendo o diploma na faculdade e há pouco tempo, com a Estelinha no colo.

Meu pai tem esse jeitão com qualquer pessoa. Não é de sair, não tem muitos amigos, não curte uma festança barulhenta. Ele chega, fica quietinho, fuma alguns cigarros (infelizmente, não parou até hoje), fala com quem vem falar com ele e vai embora. Alguns podem dizer que ele é anti-social, mas não é isso. É só o jeito dele mesmo. Em casa ele fica quietinho no canto dele lendo, assiste os jogos de futebol, fala baixo. Acho que posso contar nos dedos das mãos as vezes em que vi meu pai gritar com alguém, isso simplesmente não combina com ele.

A cara de bravo ele tem mesmo. E não é que ele seja bravo, ele é rígido. Foi com rigidez que aprendi a sempre terminar o que me propuz a fazer, a não desistir, a sempre procurar entender as coisas. Essa rigidez não impôs medo, mas respeito. Nunca vi alguém não ter respeito pelo o que meu pai fala. Ele te conquista aos poucos, vai ganhando a confiança e acaba sendo aquela pessoa para quem você sempre quer pedir conselhos.

O carinho do meu pai vem de um jeito diferente. Vem através de conversas sobre a vida dele, histórias do que ele passou, interesse em saber da nossa vida, estímulos a sempre melhorarmos. Um exemplo bem besta: enquanto eu crescia, sempre tinha uma tarefa de casa para entregar ao meu pai. Ele me questionava sobre o que tinha acontecido em alguma data histórica não tão famosa, sobre quem havia sido o homem que dava o nome para nossa rua e coisas do tipo. Eram os tempos pré internet e eu tinha que ir para a biblioteca descobrir essas coisas, mas sempre me esforçava para voltar com a resposta. Esse era ele cuidando de mim, me ensinando a sempre ser curiosa e não me contentar somente com o que me ensinavam na escola.

Foi meu pai quem me ensinou a gostar de música e, por causa dele, gosto tanto de samba e músicas dos anos 50/60. Foi ele também meu maior exemplo com a leitura, já que cresci vendo-o devorar pilhas e pilhas de livros. Foi com ele que aprendi a gostar de futebol. E, hoje, é em mim que vejo tantas características que antes eu achava ser só dele. Puxei muito essa coisa de ser reservada, de falar pouco sobre o que realmente importa com os outros, de guardar muita coisa pra mim. Também tenho um pouco esse jeito meio anti-social de não puxar conversa com alguém ou demorar um pouco até dar corda para um desconhecido. A cada vez que pego um livro, penso se ele já leu ou se gostaria de ler. É uma das pessoas mais fáceis que conheço para agradar com um presente, já que sempre abre o maior sorrisão ao receber chocolate e livro.

Minha irmã sempre diz que sou a queridinha do meu pai, mas duvido um bom tanto de que ele tenha realmente um filho preferido. Isso não combinaria com ele. Eu só dei sorte de nascer quando meus irmãos já estavam maiores e já não eram tão ligados a ele e minha mãe. Como eu não tinha primos da minha idade, nem muitos amigos na rua, estava sempre junto deles dois.

Nunca tinha falado sobre meu pai por aqui e hoje deu vontade. Nos damos muito bem e criamos toda uma rotina que era só nossa por alguns anos, depois que todos meus outros irmãos saíram de casa. Ao sair da casa dos meus pais, chorava sempre que pensava neles, com saudades. Com o tempo aprendi a conviver com a distância e a matar bem as saudades quando vou visitá-los. Acho que todo mundo passa por isso, né? Já ouvi tanta gente falando que a pior parte de sair da casa dos pais foi justamente perder o convívio diário com eles.

52 objetos: #29

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O quê: Pingente de cristal em formato coração
Por quê: Me lembra minha tia
Onde está: Na minha caixinha de jóias
De onde veio: Ganhei dessa tia, no dia da minha formatura da faculdade

Cresci tendo uma tia, irmã da minha mãe, muito próxima. Minha mãe e ela sempre se encontravam e, como eu era o chaveirinho da casa, estava sempre junto. A gente passeava, saía para comprar roupa, ir à 25 de Março, bater perna por aí. Tanto ela quanto o marido foram muito presentes na minha infância e tenho muito carinho pelos dois.

Essa tia é tão querida por mim que foi ela quem escolhi como madrinha de crisma (SIM! Eu sou crismada! Hahaha), fiz questão de que estivesse em minha formatura da faculdade e, até hoje penso sempre nela. A Tia Claudete se foi há 6 anos e faz muita falta.Todo dia 01/09, a data do aniversário dela, passo o dia pensando nela.

Já meu Tio Vieira, marido dela, se foi ainda antes. Era aquele tio que sempre aparece de surpresa em casa, que me levava para dar umas voltas de carro no meio da tarde, que fazia de tudo para ajudar os outros. Desde 1999 morro de saudade dele.

E é por isso que esse pingente, escolhido pelo meu primo a pedido da minha tia, tem que estar nessa caixa. A correntinha dele quebrou há alguns anos e nunca arrumei, em parte porque ficava meio desesperada achando que podia cair do meu pescoço e se perder sem eu perceber. Sempre que abro minha caixa e o vejo, dou um sorriso. <3 <3

O que é o projeto 52 objetos?
Em muitos anos no futuro alguém encontra uma caixa cheia de coisas que você possuiu e tenta descobrir que tipo de pessoa você era. Talvez essa caixa tenha fotografias, livros, documentos pessoais, roupas, talheres, bilhetes de shows ou até um pacote de chiclete. O que esses objetos diriam sobre você? Eles mostrariam um retrato fiel da sua vida? Qual história eles diriam?

A ideia original veio daqui e essa tradução da explicação é da Ana Paula. Você pode ver todos os outros objetos que escolhi aqui.

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