anne frank

Andei lendo: Eu sobrevivi ao Holocausto | Nanette Blitz Konig

Há dois anos caí de paraquedas em uma palestra da Nanette König e, desde então, seu livro estava na minha lista de desejos. Por isso, quando finalmente assinei ao Kindle Unlimited (abençoada seja a promoção de 3 meses por R$ 1,99!), o livro foi um dos que entrou como prioridade na minha lista de leitura.

Basicamente o único problema de ler no Kindle: Não ter a capa do livro grandona para fotografar pro blog. :/

No livro Nanette narra com detalhes como era sua vida em Amsterdam, como foi sua passagem pelos campos (um de “triagem” e um de concentração) e como foram os anos seguintes à sua libertação. A riqueza de detalhes, principalmente nas passagens sobre os campos, é brutal. Nunca tinha lido um relato tão aberto de um sobrevivente do Holocausto e com tantos detalhes que me fizeram imaginar os horrores daquele tempo com maior nitidez.

Entre as histórias contadas no livro, com certeza a que mais foi comentada é a de como Nanette e Anne Frank se encontraram, o que conversaram e como ela ficou sabendo de sua morte, ainda no campo de concentração de Bergen-Belsen. Essa pode ser a passagem que mais causa interesse em quem nunca ouviu falar da autora, mas não é nem de longe a mais sofrida ou a que traz mais reflexão.

Eu já assisti a muitos vídeos, vi muitas fotos, visitei campos de concentração… mas ler este livro foi um soco no estômago. Virou aquele livro que recomendo à todo mundo que gosta de saber mais sobre a época da II Guerra Mundial.

Preço: a partir de R$ 19,99.

Nanette König, muito além de ser a amiga de Anne Frank

De tanto que eu falei sobre a Anne Frank aqui, as pessoas já começaram a me associar a toda notícia sobre ela. Tô achando lindo, porque realmente acho muito interessante todos os apectos da vida dela. E, assim, fiquei sabendo sobre uma exposição itinerante que está acontecendo em algumas unidades do Senac, chama Aprendendo com Anne Frank (valeu, Carol!).

A exposição passou pela unidade de Santo André em julho e, entre várias atividades, uma me chamou muito a atenção: uma palestra com Nanette König, amiga de Anne dos tempos de escola. A palestra era grátis, em um dia de semana, no meio da tarde. Na mesma hora me inscrevi, marquei a data na agenda e me organizei para conseguir ir. Fui achando que seria um depoimento rapidinho, do tipo “Ai, Anne fez trabalho comigo uma vez e foi um amor” e histórias bobinhas assim. Logo que cheguei, encontrei a sala cheia de adolescentes barulhentos, levados pela escola, e já quis desistir ali mesmo. Ainda bem que não desisti, porque eu não podia estar mais enganada.

NA época de escola e hoje. Foto: Estado de São Paulo.
NA época de escola e hoje. Foto: Estado de São Paulo.

Nanette era uma criança judia em Amsterdam na época da II Guerra Mundial. Como tantas outras, teve sua vida completamente modificada com a dominação nazista e foi parar em um campo de concentração. Lá, foi se despedindo aos poucos de toda a família (pai, mãe e irmão), vendo-os sendo levados para outros campos para morrerem. Nanette ficou sozinha em Bergen-Belsen, com o “privilégio” de ser escolhida como prisioneira para troca por outros presos. Por isso, ela não tem a tatuagem com seu número, não teve o cabelo cortado e podia, a qualquer momento, ser enviada para outro local. Nanette resistiu, como ela mesma diz, por puro acaso. Passou fome, quase morreu ao irritar soldados nazistas, podia ter morrido de fome ou tifo. Foi o acaso que a fez estar viva para ver o dia de libertação do campo e o fim da Guerra.

Ao ser resgatada, passou três anos internada em um sanatório. Demorou um ano para que seu sistema digestivo voltasse ao normal. Quando saiu de lá, sem nenhuma família próxima, foi morar em Londres com uma tia. Lá, conheceu um rapaz que também havia perdido os pais (não na Guerra) e estava se mudando para o Brasil. Eles namoraram à distância por um tempo, até que casaram e vieram morar em São Paulo.

Nanette e John, seu marido, no dia do casamento. Foto: Estado de São Paulo.
Nanette e John, seu marido, no dia do casamento. Foto: Estado de São Paulo.

Foi aqui que Nanette teve seus filhos, viu os netos crescerem e constituiu sua vida. Sempre inquieta, resolveu fazer faculdade quando já era avó. Hoje, dá as palestras para que as pessoas entendam o que foi o holocausto, a extensão do absurdo e para ter certeza de que isso não se repetirá. Ela é uma senhorinha super simpática, engraçada e cheia de opinião. Um exemplo de vida.

Ah! O que ela falou sobre Anne? Que eram colegas de sala, que estava na festa de Anne quando ela ganhou o diário e que a reencontrou, através de uma grade, por pura coincidência, no campo de Bergen-Belsen, na época em que ela morreu de tifo. E foi mais do que o suficiente, porque todos ali na sala queriam era saber mais da história de Nanette. Em muitos momentos me emocionei e vi todos ao redor terem os olhos cheios d’água também. Os adolescentes? Só riam ou falavam quando a Nanette contava um fato engraçado ou dava uma pausa no falatório, todos vidrados.

Encontrei a palestra que ela deu no Senac de Americana no começo do ano e é, basicamente, a mesma a que assisti. O vídeo é bem longo, mas vale a pena:

Saí de lá com a alma cheia. Se alguém que passou por tudo isso conseguiu retomar a vida, ser feliz, encontrar amor, ter vontade de viver e de lutar para que nunca esqueçam o quão terrível o ser humano pode ser, eu só tenho mesmo é que agradecer pela vida que tenho. Aposto que vocês também. Agradeçam, amiguinhos. E nunca, nunca esqueçam do que a humanidade já fez.

Nanette lançou um livro recentemente, chamado Eu sobrevivi ao holocausto e, claro, já estou doida por ele.

BEDA-2015

Amsterdam – Anne Frank Huis

Eu sei, Amsterdam tem MUITO museu. E sim, eu sei que todo mundo tem que ir em vários museus na cidade porque eles são imperdíveis. Maaaaas…. eu só fui em dois. Ha! A gente foi a vários castelos e museus durante toda a viagem e quando chegamos em Amsterdam já estávamos meio cansados da coisa, sabe como? Por isso focamos só em dois que queríamos muito: a casa da Anne Frank e o do Van Gogh. Era para eu falar dos dois nesse post, mas acabei falando taaaanto sobre a casa da Anne que ficaria enorme se fizesse isso. Quem sabe outro dia não falo do museu do Van Gogh, né? ;)

Não tenho foto alguma de lá porque é proibido fotografar lá dentro. Então peguei fotinhas no São Google para ilustrar, porque é demais e eu não podia deixar de mostrar algumas imagens aqui.

Essas viraram minhas fotos favoritas da Anne. Comprei postal com algumas delas. Foto: mimmis.olsson
Essas viraram minhas fotos favoritas da Anne. Comprei postal com algumas delas. Foto: mimmis.olsson

A Anne Frank Huis é a casa onde Anne Frank, sua família e alguns amigos ficaram escondidos dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Otto, seu pai, tinha uma empresa nesse prédio e aproveitou o sótão para abrigar a família. Hoje o museu ocupa o prédio original e o do lado.

Pegamos uma fila grande e um tanto demorada para fazer a visita, mas você pode comprar os ingressos no site e ir direto para a entrada na hora marcada. Bem mais tranquilo. ;)

Ao entrar, você vai conhecendo a história de Anne em detalhes. Os anos em que a família morou na Alemanha, a vida que levavam depois de se mudarem para Amsterdam, os amigos que os ajudaram a permanecer escondidos dos nazistas por dois anos e os amigos que se esconderam junto com eles. Essa parte é toda nos primeiros andares do prédio, então você vai passando por onde os funcionários andavam na empresa do pai de Anne sem saber de nada sobre os judeus escondidos a alguns metros.

Em uma dessas salas tem uma maquete que mostra a disposição dos móveis na época do esconderijo. Como os nazistas esvaziaram todos os cômodos quando prenderam os Frank, o pai de Anne não autorizou que colocassem móveis parecidos de volta, pois ele queria que as pessoas vissem o lugar como ele realmente tinha ficado. Por isso a maquete é bem interessante, só nela você consegue ter uma visão geral dos móveis que ficavam por lá.

Foto: MX Award
Foto: MX Award

Você vai caminhando e subindo escadas e de repente dá de cara com a famosa porta/estante de livros que Anne tanto fala em seu diário. A estante é super normal e fica difícil imaginar que há uma porta atrás dela. Ao passar ali, você sobe para os cômodos do esconderijo, vazios e com as paredes deixadas exatamente como estavam no dia em que a família foi levada dali. No quarto de Anne ainda podemos ver os recortes de famosos que ela colava na parede, exatamente como eu imaginava.

Você pode passar por todos os cômodos mas não pode subir ao sótão, onde Anne deu seu primeiro beijo. A escada para lá está baixada, mas há uma tampa de acrílico que impede de subir. Uma pena, a vista lá de cima deve ser bem legal, como Anne dizia.

Depois de passar pelos cômodos você acaba entrando no prédio do lado, sem perceber. Ali há telas com depoimentos de pessoas que conheceram Anne ou passaram algum tempo no mesmo campo de concentração por onde ela e seus familiares passaram. Também há algumas curiosidades sobre os funcionários de Otto que ajudaram a família a se esconder e vídeos de pessoas (famosas ou não) sobre a importância do Diário de Anne para eles.

O banheiro do esconderijo. Foto: n8
O banheiro do esconderijo. Foto: n8

A última parada é a lojinha e olha: eu queria TUDO. Hahaha. Lojinha de museu sempre tem várias coisas legais, mas a da Anne tinha edições lindas do diário (a mais legal, com a capa meio fofinha foi lançada no final do ano passado aqui no Brasil. LINDA!), alguns outros livros sobre a família e a vida dos judeus durante a Guerra, postais e tudo quanto é tipo de presentinhos. Saí de lá com um livro muito legal com muitas fotos e curiosidades sobre o esconderijo e alguns postais. Na mesma noite devorei todo o livro, de tão interessante que é. Quero reler para resenhar direitinho para vocês, porque é muito legal.

Na resenha do livro já falei um pouquinho sobre a piração que sempre tive com a história da Anne, então você pode imaginar a emoção que foi estar lá, na casa onde ela, sua família e seus amigos passaram alguns anos escondidos. Sempre ouvi dizer que tudo é muito pequeno e imaginava assim mesmo, mas estar lá e realmente ver o quão pequeno era o espaço e imaginar passar anos sem sair dali é um tanto quanto sufocante. É bem comum você encontrar pessoas chorando durante a visita e confesso que eu mesma fiquei com os olhos cheios d’água várias vezes. É impossível para mim imaginar todo o sofrimento pelo qual aquela e tantas outras famílias passaram durante aqueles anos.

Caso você esteja se perguntando sobre a casa onde Anne morava antes de ir para o esconderijo, ela ainda existe. Fica na Merwedeplein, no sul de Amsterdam, onde hoje fica uma estátua da menina. Hoje não é habitada por ninguém, nem aberta a visitações. Houveram algumas visitações de um único dia, mas o apartamento é usado principalmente como abrigo para escritores refugiados que eram perseguidos em seus países de origem. Você pode ver um vídeo do apartamento aqui.

Mais informações: Site oficial