Alemanha

Andei lendo: Eu sobrevivi ao Holocausto | Nanette Blitz Konig

Há dois anos caí de paraquedas em uma palestra da Nanette König e, desde então, seu livro estava na minha lista de desejos. Por isso, quando finalmente assinei ao Kindle Unlimited (abençoada seja a promoção de 3 meses por R$ 1,99!), o livro foi um dos que entrou como prioridade na minha lista de leitura.

Basicamente o único problema de ler no Kindle: Não ter a capa do livro grandona para fotografar pro blog. :/

No livro Nanette narra com detalhes como era sua vida em Amsterdam, como foi sua passagem pelos campos (um de “triagem” e um de concentração) e como foram os anos seguintes à sua libertação. A riqueza de detalhes, principalmente nas passagens sobre os campos, é brutal. Nunca tinha lido um relato tão aberto de um sobrevivente do Holocausto e com tantos detalhes que me fizeram imaginar os horrores daquele tempo com maior nitidez.

Entre as histórias contadas no livro, com certeza a que mais foi comentada é a de como Nanette e Anne Frank se encontraram, o que conversaram e como ela ficou sabendo de sua morte, ainda no campo de concentração de Bergen-Belsen. Essa pode ser a passagem que mais causa interesse em quem nunca ouviu falar da autora, mas não é nem de longe a mais sofrida ou a que traz mais reflexão.

Eu já assisti a muitos vídeos, vi muitas fotos, visitei campos de concentração… mas ler este livro foi um soco no estômago. Virou aquele livro que recomendo à todo mundo que gosta de saber mais sobre a época da II Guerra Mundial.

Preço: a partir de R$ 19,99.

Berlim – ai que saudade!

Essa noite sonhei que estava em Berlim passeando, voltava para o Brasil e voltava para Berlim, dessa vez para morar. E aí acabei aqui, sentada olhando fotos de lá. Ô saudade! <3

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A entrada do Zoo. Linda, né?
A entrada do Zoo. Linda, né?

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Andei lendo: Eu, Christiane F., a vida apesar de tudo | Christiane V. Felscherinow

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Já falei que Christiane F., drogada e prostituída é um dos meus filmes favoritos sobre drogas? Assisti quando tinha uns 12 anos, na escola. Já perdi as contas de quantas vezes assisti de novo depois disso. Há uns 10 anos comprei o livro que deu origem ao filme e já li umas duas ou três vezes também.

De tempos em tempos tenho mania de jogar o nome de Christiane Vera Felscherinow para ver novas notícias sobre ela. Leio matérias, vejo fotos… e sabia que ela ainda estava viva e continuava a lutar contra o vício em heroína. O que eu não sabia era que ela havia lançado este novo livro, com memórias sobre tudo o que aconteceu em sua vida após o lançamento do livro que contava sua vida de adolescente viciada.

Eu não sabia, mas Christiane virou celebridade na Alemanha após o lançamento do livro e do filme. Todos queriam saber mais sobre sua vida, a reconheciam na rua, a julgavam e recriminavam sem nunca terem falado com ela. Ela passou os últimos anos da adolescência longe de Berlim e dos amigos da época em que usava heroína, mas nunca totalmente longe das drogas. Tomava álcool, cheirava cocaína e fumava maconha regularmente. Viajava com a produção do filme, conheceu pessoas famosas e aproveitou a vida “fácil” daquela época. Ficou amiga de Nina Hagen e Nick Cave e farreou a noite toda com os caras do Van Halen.

Ao completar 18 anos, recebeu direito à movimentar uma conta bancária super recheada com os direitos acumulados do livro e filme com sua história. Não precisava mais trabalhar, voltou para Berlim e se envolvou com músicos e cineastas. Gravou algumas músicas, atuou em filmes.. e perdeu o interesse em tudo isso rapidamente. Entrava e saía do vício em heroína, agora que era muito mais fácil de mantê-lo e dinheiro não era um problema.

Com 20 e poucos anos foi presa e passou alguns meses na prisão feminina. Viveu algum tempo na Suíça e começou a frequentar o terrível Platzspitz onde os viciados em heroína compravam e consumiam a droga livremente. Morou por alguns anos na Grécia, tendo como companhia um namorado tão viciado em heroína quanto ela. Voltou para Berlim e estava tão drogada no dia em que o Muro caiu que não quis nem olhar pela janela de sua casa para ver o que estava acontecendo na rua.

Quando já estava com mais de 30 anos, Christiane engravidou de um namorado mais novo e mais viciado do que ela. Teve o bebê e o criou da melhor maneira até os 11 anos, quando tiraram dela a guarda do menino. Agora Phillip é um garoto esperto e estudioso de 19 anos, que continua morando com a família que o acolheu aos 11 anos. Tem contato regular com o pai e a mãe.

Hoje, com mais de 50 anos, tem hepatite C e uma saúde muito precária. Segue um programa de tratamento com base em metadona, bebe e fuma haxixe e maconha. Tem mania de perseguição e acredita que a mãe paga para algumas pessoas a vigiarem de perto e entrarem em sua casa para revistar tudo, de tempos em tempos. Mora sozinha, com seus cachorros e sabe que não lhe resta muito mais tempo de vida.

Christiane continua sendo a menina ingênua e com forte sentimento de abandono que o primeiro livro e o filme nos apresentaram. Viveu muita coisa, foi enganada e aproveitada por muita gente, fez muitas escolhas erradas. Essa entrevista da Vice com ela mata um pouco a curiosidade sobre alguns detalhes, vale a pena ler. Também percebi que muita coisa não está no livro (como a proibição dela entrar nos EUA depois de ter sido pega com heroína por lá).

Preço: R$19,90 no Submarino e R$32 na Livraria Cultura

Este livro me ajudou a cumprir os itens 19 e 26 do 2015 Reading Challenge.